Reclama Antônio, reclama...
No Jornal do Brasil de hoje (4/março/2007) seção Opinião, página A9, o empresário Antônio Ermírio de Morais, publicou um artigo curto e grosso com meia dúzia de resmungos bastante pertinentes.
O artigo começa em torno de um evento bem recente: o sacode que a China deu no mercado especulativo (também conhecido como mercado financeiro) no início da semana passada, e termina com um questão bem antiga, tão antiga quanto Marx: o eterno conflito entre especulação e produção ou melhor ainda entre o capital e o trabalho.
Um dos resmungos:
Mas quem frequenta e navega no mercado financeiro sabe disso. Uma grande parte de seus granhos é proveniente de especulação e de sorte. A outra parte é sustentada pela economia real, ou seja, pelos que investem na produção.
Em outras palavras, quem trabalha sustenta um bando de malandros que tem capital. Marx já dizia isto Antonio, muito antes de você, mas antes tarde do que nunca para descobrir como algumas coisas funcionam, não é verdade? A única diferença é que Marx teria dito "pelos que trabalham", enquanto você diz "pelos que investem na produção". Diferença pequena mas fundamental.
Outro resmungo:
São mundos diferentes. No da especulação, domina a esperteza; no da produção, corre o suor.
Infelizmente as coisas não são tão simples, nem tão preto-no-branco assim: uma boa parte dos especuladores obtém ou obteve (ou herdou) seu capital especulativo da exploração do trabalho alheio.
Mais um:
Quem investe em títulos públicos em reais, dolar ou euro, tem uma renda líquida de 8% ou 9% ao ano, com a vantagem de pular fora deste negócio da noite para o dia, protegendo o principal e os rendimentos.Quem investe na construção de uma fábrica ... além de ganhar muito menos e ter mais trabalho, fica sem mobilidade para pular do barco que ameaça afundar.
E um resmungo final:
Ocorre porém que a produção, os impostos, as reservas cambiais, a renda e o emprego, vêm da economia da produção.
Resumindo: quem trabalha sustenta que especula e que especula tem muito menos riscos do que quem trabalha. Porque é assim? Porque você escolheu assim. Foi decisão sua. Tá, sua e de mais alguns milhões de pessoas. Entetanto, a maioria delas escolheu assim tangida pela lavagem cerebral da mídia. Você e mais alguns escolheram o capitalismo, e no capitalismo, manda o capital e não o trabalho.
No finalzinho do artigo ele manda uma pergunta:
Até quando o mundo ficará separado pelas duas economias?
O problema aqui é que as duas economias não são tão separadas assim como você gostaria de nos fazer acreditar. Se você considerar como economia de produção apenas as pequenas empresas os trabalhadores individuais e os empregados das grandes empresas, sim há uma clara separação, mas à medida que você adiciona ao bolo os grandes conglomerados capitalistas, esta separação vai se tornando mais tênue, pois grandes empresas produtoras também são também grandes especuladres.
A especulação nasce da concentração de capital. E esta concentração é natural da ecomonia capitalista, ou seja, o capital que já está concentrado hoje vai ficar ainda mais num futuro próximo. A especulação que já domina e manda nos governos de quase todas as nações do mundo, vai dominar e mandar mais ainda.
Ou seja, a escolha foi sua e vai continuar sendo assim, portanto, é melhor ir se acostumando.
Você pode ler o texto completo na edição eletrônica do JB.
E eu sou o Chato de Galochas.