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Terrorismo sem fazer força

Desde que Georgete Moitinha se abancou na casa branca, o terrorismo tem deitado e rolado, e vai continuar assim, mesmo muito tempo depois que ele for apeado, nas próximas eleições. O terrorismo vai continuar proliferando porque ele criou, e continua criando todas as condições para que este se desenvolva.

O Rio de Janeiro é uma cidade com topologia bem particular. É uma cidade enorme, mas cujo crescimento é delimitado a sul e a leste pelo mar e a norte e oeste pelas montanhas. Isto fez com que a cidade desenvolvesse uma enorme quantidade de túneis. No momento que escrevo este artigo, a Wikipedia relaciona 15: http://pt.wikipedia.org/wiki/Categoria:Cidade_do_Rio_de_Janeiro, mas eu acho que existem mais.

Aproveitando-se desta peculiaridade, a alguns anos a bandidagem inventou um novo tipo de assalto: o arrastão no túnel. A técnica é fácil: usando armas, um ou mais carros são parados no meio de um túnel longo, em horário movimentado. À medida que os carros vão parando atrás, cria-se um engarrafamento que impede a aproximação da polícia. Como estão dentro de um túnel, helicópteros também seriam inúteis.

Incapacitados de fugir, tudo que os motoristas podem fazer é esperar que não sejam escolhidos. Felizmente, meu Monza velho e caído não desperta a cobiça de ninguem, pois é muito mais lucrativo aos pilantras levar um carango importado.

Depois de uma meia duzia de três ou quatro ataques deste tipo, uma neuroze foi criada. Bastava que algum carro parasse por problemas mecânicos, ou que um outro produzisse explosões devido a falta de regulagem do motor para que um ataque de histeria coletiva se instaurasse. Por razões mínimas, dodocas e dondocos abandonavam seus carros no meio da pista e saiam correndo na direção oposta, causando sérios transtornos à cidade.

Algo bastante similar está acontecendo exatamente agora nos aeroportos do mundo. A alguns dias atrás um grupo de 12 simplórios e felizes indianos foi preso. Eles foram considerados terroristas por um punhado de americanos neuróticos somente porque mandavam e/ou liam mensagens de texto em um celular, que era passado de mão em mão, ou seja, um comportamento absolutamente comum.

Além da neurose já estar devidamente instalada, o governo dos Estados Unidos está instalando e obrigando outros governos a instalarem, sensores para detectar a presença de produtos químicos explosivos. Além de detectarem explosivos estes dispositovos também detectarão componentes químicos que poderiam ser utilizados para fabricar o explosivo já a bordo do avião.

Enquanto estes dispositivos não estão sendo largamente utilizados, os gringos vão se virando com os bons e velhos cachorros, devidamente treinados para farejar certos componentes. Cães já eram utilizados para detectarem cocaina nas malas dos carros ao cruzarem a fronteira com o México, e recentemente causaram a evacuação de um terminal de carga ao identificarem erroneamente um containter que teria explosivos.

Assim que estes dispositivos estiverem operando, os terroristas rapidamente aprenderão a utilizá-los em proveito próprio. Lembre-se: o objetivo de um terrorista é causar terror. E para isso, ele não precisa, a rigor, matar ninguém. Não é necessário explodir o avião. Não é necessário nem mesmo entrar no avião. Na verdade ele nem precisa passar perto do aeroporto. Tudo que o terrorista precisará fazer é passear tranquilamente pela parte turística da cidade.

Bem vestido, esporte fino, cabelo e barba muito bem feitos, sozinho ou acompanhado de uma bela garota de programa. Nada que lembre um perigoso e violento religioso. Nos pés um tênis reeeeboque caríssimo. Dentro do salto do tênis, um reservatório de algum produto químico, que seja fácil de obter e mais fácil ainda de detectar. No bolso da calça, o dispositivo que ativa o borrifador.

Andando pela calçada, ou pelo saguão do hotel onde ele está hospedado, ele para ao lado de alguma mala deixada no chão, enfia a mão no bolso, borrifa sua química e se manda. O incauto hóspede deixa o hotel, pega um taxi direto ao aeroporto. Minutos depois, preso, interrogado, incomunicável por vários dias, sem saber porquê. O aroporto é fechado e evacuado. Dezenas de vôos são cancelados. Centenas de bagagens se extraviam. Prejuizo de milhões.

Duas semanas depois outro terrorista, em outra cidade, de preferência do outro lado do mundo, causa o mesmo bafafá. Mais prejuizos. Um ano depois, metade das companias aéreas do mundo está falida ou dependendo de socorro estatal para sobreviver. A industria do turismo está arrazada. O desemprego grassa. A economia afunda. E tudo isto por causa de um americano babaca.

Eu sou o chato de galochas.

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